Andei de avião pela primeira vez e o destino escolhido foi Natal/RN. Essa viagem já estava marcada há um ano e veio em um ótimo momento para mim, porque eu estava precisando tirar uns dias de descanso.
Além de tudo de bom que uma viagem pode nos proporcionar, essa foi ainda mais especial: minha família viajou em peso junto! Fomos em 23 pessoas para lá. No mesmo avião, mesmo hotel, com a mesma guia, tudo junto e misturado.

A experiência de ter vivido isso com eles foi maravilhosa e espero ter a oportunidade de repetir, da próxima vez, com a família completa, quem sabe. Mas, se eu puder escolher, prefiro que seja numa viagem de ônibus. Entrar com quase a família toda dentro de um avião me assustou um pouco.
Enfim, vamos falar de Natal, Rio Grande do Norte! Se você deseja ir para lá, aconselho ler o meu texto. Esse relato também serve como um diário de viagem para mim, para manter a minha memória viva além das fotos que tirei, com algumas percepções e opiniões que tive.

Na maior parte do texto, descrevi as praias que eu visitei, porque foi onde mais passei o tempo na viagem. Amo nadar no mar, tomar sol, comer porções fritas e, claro, beber caipirinha à beira mar.
Quando você viaja para outra região, existe uma curiosidade em conhecer os sabores que existem ali. Em Natal, já adianto que os sabores vencedores são camarão e caju, inclusive com ambos os ingredientes nas cachaças que o pessoal vende.
A comida de Natal é boa?
Sim, maravilhosa, eu poderia comer purê de jerimum (abóbora) todos os dias. Enquanto aqui no sudeste a castanha de caju e camarão são caríssimos, lá você encontra por um valor acessível e dá para comer todos os dias da viagem.
Caju tem de monte por lá e o cheiro da fruta parece ser até melhor do que dos cajus que vejo por aqui, no estado de São Paulo. Outra coisa que não falta no prato dos potiguar (que em tupi-guarani significa “comedor de camarão”) é macaxeira (mandioca). No hotel, tinha macaxeira cozida até no café da manhã.

Você também vai ouvir o pessoal falando “se veio para Natal, precisa comer as kengas daqui” e fazendo piadinhas com essa tal de kenga. A kenga, na verdade, é um doce feito com coco. Gostosinho e muito vendido por lá.
Eu reparei que tanto no hotel quanto nas praias o povo adora comer tapioca e crepe. Em praticamente todas as praias tinha alguém vendendo crepe, com o seu nome escrito em corante azul e com diversas opções de recheios.

Como são as praias de Natal?
Praia de Ponta Negra (Morro do Careca)
A principal região turística de Natal é na Praia de Ponta Negra, mas infelizmente não é recomendado nadar em toda a área da praia, por conta da extensão de areia que fizeram.
Ninguém entrava na água na frente do hotel que ficamos, já que existiam vários buracos pela praia e o mar era muito forte. Todavia, fomos até o final (ou começo) da Praia de Ponta Negra, na ponta do Morro do Careca, e deu para aproveitar bastante.

As ondas eram fortes, mas não existiam buracos surpresas no chão. O único ponto é que tinham muitas pedras na parte rasa, então o recomendado era ir mais para o fundo. No final, todo mundo saiu meio ralado por causa das pedras, mas aproveitamos.
Essa parte de Ponta Negra possui infraestrutura, com vários restaurantes, quiosques e banheiros — que, inclusive, se você quiser lavar os pés, vai precisar pagar. Foi a praia que mais vi vendedores ambulantes também, eles vendiam até caju (amooo).
A praia próxima ao Morro do Careca é linda, já que o morro é um dos cartões postais de Natal. Dá para ir lá perto apreciar a paisagem, mas nem se atreva a pisar no Careca, porque a multa ambiental é caríssima.
Praia do Forte
Foi a praia que eu menos gostei por N motivos: não existe infraestrutura, haviam apenas dois quiosques, sem acesso a banheiros; a praia é contornada por corais naturais, então você não tem contato direto com o mar, somente com piscinas naturais; ela é mais isolada, e se você for mulher, isso pode ser um problema.
Nós queríamos visitar o Forte dos Reis Magos, mas estava fechado no dia (não abre de segunda-feira). Então, aproveitamos para ficar na praia, que um motorista de aplicativo tinha recomendado para minha irmã.

O lugar até que é bonito, mas não me encantou. Para quem tem crianças, pode ser uma boa alternativa, já que as piscinas são rasas e as ondas não chegam. Próxima à Praia do Forte existe a Praia dos Artistas e de Miami, a primeira é boa para banho e a segunda é para surfistas.
Essas três praias que citei aqui estão passando por um processo de reforma. Um guia nos explicou que a prefeitura de Natal está tentando reacender o interesse turístico nessa região, então estão investindo em melhorias nas ruas, calçadas e em quiosques na região. Talvez, daqui uns anos, esteja melhor.
Muriu (no município de Ceará Mirim)
Nós tivemos acesso à praia pelo passeio de bugue, na parte do restaurante Miramar (que é maravilhoso). Não ficamos muito tempo por lá, então não deu para conhecer as redondezas e checar se existiam quiosques ou outras opções de restaurantes.

Mas a praia, no geral, é boa. Quase não tem ondas porque, pelo o que pesquisei, acontece o encontro com algum rio ali por perto. Então, se você fechar o passeio de bugue e a praia final for essa, pode ir; mas se houver outras opções de praias, como Genipabu, talvez seja melhor escolher essa segunda — e mais pra baixo eu explico o porquê.
Praia de Tibau do Sul (no município de Tibau do Sul)
Se no seu roteiro de viagem está a Praia do Amor e a Praia de Pipa, coloque também a Praia de Tibau do Sul, porque fica no caminho e, na minha opinião, é a mais bonita.
No trecho da praia que ficamos, havia uma correnteza muito forte (acho que de um rio), então era quase impossível nadar ou ir mais para o fundo. A graça foi ficar na água, bebendo uma breja e se mantendo firme no chão — se você se soltasse, a água começava a te arrastar.
Mas, pelo o que falaram, era só essa parte da praia mesmo, em outras áreas não tinha tanta correnteza. De qualquer forma, eu gostei dessa praia.

Nós chegamos a passar pela Praia do Amor, mas não quisemos parar. Olhamos de longe e confesso que não entendemos o valor que o pessoal dá para o local. Talvez devêssemos ter parado e ir lá sentir o mar etc.
O mesmo para a Praia de Pipa: a vila é lindinha, mas a praia é sem graça. Nós chegamos e ninguém quis ficar no mar, porque haviam muitas pedras de corais. Porém, de todas que visitamos, era a que estava mais cheia.

Pelo o que senti, o hype de Pipa é pela vida noturna, festas, barzinhos. A maioria dos comércios só abriam depois das 15h.
Vale ressaltar que optamos por passar a maior parte do dia em Tibau do Sul por orientação dos guias, já que lá o almoço sairia mais barato do que nos restaurantes da Praia do Amor e de Pipa. No fim das contas, foi a melhor decisão que tomamos.
Praia de Tabatinga
Foi a praia escolhida do passeio “Rota dos Nativos” que fizemos. Aliás, esse foi o dia mais cansativo, mesmo a gente andando no conforto de uma 4×4, e o dia que mais comi em um restaurante delicioso em frente ao mar.

A praia é maravilhosa, ótima para banho, tanto para quem prefere o mar mais agitado quanto para quem tem crianças, porque em algumas partes as pedras/corais diminuem o impacto das ondas. Além disso, na parte da tarde a maré também fica mais baixa.
Tabatinga fica ao lado da Praia de Camurupim, na parte sul de Natal. Quando pedi indicações na recepção do hotel de onde ir nos dias que eu estava sem passeios, o pessoal comentou dessa Camurupim.
Praia do Cotovelo
Também ao sul de Natal, com certeza foi a minha praia preferida e de toda a minha família. Se você chegar pela manhã, vai ver a maré alta, invadindo o chão dos comércios e mesinhas dos quiosques, mas logo após o almoço ela fica baixa.

O mar é bem agitado e as ondas são grandes, mas é só ficar mais para o rasinho que dá para curtir a água. Além dos quiosques e restaurantes, existem feirinhas de roupas na praia também.
O lugar é muito bonito e tem vista para a região do lançamento de mísseis e satélites da Barreira do Inferno, a base aeroespacial da Força Aérea Brasileira.
No geral, o que eu achei das praias de Natal?
Nem todas estão localizadas de fato em Natal, algumas estão em cidades próximas, como Parnamirim, que você mal percebe a divisão de municípios. De toda forma, algumas características eu vi/não vi em todas as praias que visitei:
- As praias são todas muito limpas! Quase não existe lixo na areia ou na água (aprende, litoral paulista!);
- Eu não vi um salva-vidas ou equipes de resgates nas praias;
- Esse é um detalhe bobo, mas eu vi caranguejos em quase todas as praias e adorei;
- Na maioria o mar é agitado. A do Forte, por exemplo, só dá para curtir por conta das barreiras de pedras e corais. Se não fosse por isso, eu nem me atreveria entrar na água naquele dia;
- Me senti muito à vontade em todas as praias. Não rolou assédio ou coisas do tipo por parte dos homens que eu encontrava por lá;
- É óbvio que a água do mar é salgada, mas em Natal parece que é muito mais. No primeiro dia, o meu lábio já estava ressecado. Pode ser pelo vento (porque em todas as praias venta muito) ou pelo excesso de sal, não importa, o que importa é passar e retocar o hidratante labial sempre que lembrar.
Passeios em Natal: o que fazer além das praias?
Opções de passeios, lugares para visitar e forrós para ir é o que não falta em Natal. Aliás, já deixo aqui uma dica: feche os passeios com os guias quando chegar em Natal, ao invés de fechar antes. Por quê?
Quando você está na cidade, você pode consultar mais opções e encontrar pacotes mais baratos do que os que tentarem te vender pela internet. No hotel que eu fiquei, tinha gente vendendo passeio e na frente tinha um depósito de bebidas que o dono também vendia. Você andava um quarteirão e encontrava mais uma opção. Então, resolva os passeios quando chegar lá!

Eu adoraria listar aqui os melhores forrós da cidade, mas infelizmente não cheguei a ir a bares ou espaços que promoviam um forrozinho à noite. Isso porque, no hotel que eu fiquei, o jantar já estava incluso e tinha música ao vivo toda noite, então eu não queria mais nada.
Fora que muitas pessoas me alertaram que era perigoso andar nas ruas depois das 22h, inclusive na própria orla da Praia de Ponta Negra. Então, por via das dúvidas, eu aproveitava mais o dia e às 22h30 já estava na cama, cobertinha e com o ar-condicionado torando.
Mas sobre os outros passeios que você pode fazer em Natal, inclusive com a família e criançada, aqui estão os que eu fiz e curti:
Passeio de Bugue
Acho que é obrigatório para todo mundo que visita Natal. As dunas são lindas, as paisagens vistas de lá são maravilhosas e o passeio em si é muito divertido e gostoso. Minha dica é: peça para que o bugueiro vá com emoção.
Ao fechar o passeio de bugue, dê preferência para um bugueiro profissional, com carteirinha, registro e tudo. Essa é uma forma de você se assegurar, além de ir com uma pessoa de confiança.

Como eu disse acima, o passeio de bugue costuma finalizar em uma praia e acontece nas Dunas de Genipabu. Eu, minha mãe e irmã precisamos ir em um outro dia, então fechamos com uma empresa aleatória e curtimos a Praia de Muriu.
Mas, o restante da minha família que andou de bugue no dia anterior e com outra empresa, finalizaram o passeio na Praia de Genipabu e amaram a praia (tanto que voltaram outro dia só para ficar lá). A Praia de Genipabu também era a preferida da nossa guia de Penápolis, que organizou a viagem.
Passeio Rota dos Nativos
Pelo o que entendi, a rota do passeio pode mudar de acordo com o interesse do grupo que fechou. Mas o grande destaque dele é o fato de ser realizado naqueles carros 4×4.
O passeio que fizemos incluiu uma visita ao museu da base aeroespacial, no cajueiro, em umas lagoas (que eu esqueci o nome, mas que não me chamaram tanta atenção assim), na Praia de Tabatinga e nas Dunas de Búzios.

Vale a pena para conhecer a região mais a fundo, porque você vai conversando com o guia, aprendendo um pouquinho daqui e ali e vendo cantos de Natal que os passeios de bugue não levam.
O maior cajueiro do mundo
Metade da minha família ficou falando “eu vou pagar pra ver uma árvore?” e olha, digo que foi mais legal do que eu imaginei. O valor para entrar no cajueiro e andar por lá é R$8, estudante e professor pagam meia (criança não sei).
Juro, o povo gasta R$8 com tanta coisa besta, mas visitar um cajueiro gigante não é válido? Eu recomendo dar uma passadinha lá sim, é surpreendente ver a quantidade de galhos que o cajueiro tem.

Existe um mirante também, para você ver o topo da árvore. O pessoal disse que no fim do ano a árvore fica cheia de frutos e os visitantes podem pegar os cajus. Em média, são 70 mil frutos por safra!
Para quem curte comprar lembrancinhas, a feirinha que tem ao lado do cajueiro foi a que eu vi mais coisas diferentes, então ainda tem essa vantagem para quem for visitar a grandiosa árvore.
Museu da Barreira do Inferno
Nem sei se é assim que chama, mas a exposição de mísseis, satélites e aviões da Força Aérea Brasileira fica em frente à base e a entrada é gratuita. Em um dos passeios, nós demos uma passadinha por lá, mas eu confesso que não me interesso tanto por história se tenho a opção de curtir uma praia o dia todo.
Feirinhas
Eu juro que chegou no quarto dia eu disse que não pisaria em mais nenhuma feirinha de artesanatos em Natal. Menti, porque precisava comprar mais lembrancinhas para meus amigos.

Enfim, lá têm feirinhas em todos os lugares. Algumas mais gourmetizadas, outras mais “raiz”, vai do seu gosto e do seu bolso. O Centro de Artesanato, que fica em frente à Praia dos Artistas, é a mais famosa e a maior que eu vi.
Porém, confesso que tudo que vi nessa, eu já tinha visto nas anteriores e vi nas próximas que minha mãe me arrastou para ir.
Vale a pena ir para Natal?
Sim, acho difícil dizer um lugar que não vale a pena viajar (só se for muito perrengue ou muito caro). Os valores na cidade são acessíveis, desde que você não tenha preguiça de pesquisar por opções mais baratas de restaurantes, artesanatos, bebidas e passeios.
Algumas pessoas da minha família, que já foram para outras regiões do nordeste, disseram que não acharam a parte cultural tão forte em Natal. Essa foi a minha primeira vez no nordeste e confesso que esperava ter mais contato com a cultura em si.
Todavia, ficou claro no texto que eu fiz essa viagem para curtir as praias, a companhia da minha família e, claro, comer e beber muito bem. Talvez eu não tenha explorado tanto esse lado cultural de Natal, como por exemplo em passeios noturnos, então me abstenho de deixar uma opinião sólida sobre.

Uma coisa que eu não gostei da cidade foram as calçadas com muitos buracos e pouquíssima acessibilidade. Ali na região de Ponta Negra, era difícil andar pela avenida principal, principalmente por alguns buracos que se você caísse, rolava direto para um terreno baldio.
Se eu recomendaria a um amigo ir para Natal? Sim, depois de ler meu texto e pegar minhas dicas. Tenho nomes de guias e de empresas que fazem passeios para indicar (e outros nomes para não indicar). Os cuidados são os mesmos para qualquer cidade grande no Brasil: atenção com os pertences pessoais e evitar sair à noite sozinha(o).
As praias são limpas, o mar é sempre bonito e vivo, as pessoas são receptivas e educadas, então fui embora de Natal sentindo que a cidade potiguar quer que eu volte. Quem sabe um dia, depois que eu conhecer tantos outros cantos brasileiros.