Minha psicóloga acabou de me perguntar se tem algo que eu sonho em fazer. É claro que a conversa surgiu num sentido profissional, afinal, estou perdidinha nisso. Mas a verdade é que eu sempre estive, menos quando ainda acreditava na idealização de ser uma repórter capaz de mudar o mundo e conseguir se sustentar financeiramente com essa profissão.
Enfim, pensei por uns segundos e falei que não. Hoje em dia, finalmente, posso encher a boca para dizer que não tenho um trabalho dos sonhos. Eu não me sentia realizada trabalhando com marketing, não me sinto mais atraída em trabalhar com jornalismo e não tenho disposição para mudar de área.
Sou boa no que eu faço e isso vai me bastar para pagar as contas e viver com o conforto que almejo. É claro que se entrar mais dinheiro, ótimo, vou adorar poder gastá-lo com comida e viagens. Mas sem envolver paixão nisso, esse sentimento eu deixo para outras áreas da minha vida que me fazem mais feliz.
Ainda respondendo a essa questão que ela me trouxe, disse que eu cheguei à conclusão que vou completar 27 anos sem saber o que eu quero da vida. Talvez eu saiba uma coisa ou outra, mas nunca me sinto com certeza absoluta. Até porque, minha mãe me ensinou desde pequena que só temos certeza da morte.
Fatos, sempre lembro disso. Logo eu, que normalmente adoro abraçar mudanças e sinto diariamente o quão diferente estou. Aliás, gosto muito daquela frase que diz “você nunca entra no mesmo rio duas vezes”, porque as águas mudam e você também.
Isso pode ser papo de gente pirada, mas, infelizmente (ou felizmente), são algumas das ideias que norteiam a minha mente fértil. Eu ainda respondi à minha terapeuta que talvez eu saiba algumas coisas que quero um dia fazer da vida, como por exemplo ajudar mais os animais.
E que eu já tenho quase certeza de que não quero ter filhos. Cada vez que reflito sobre esse assunto, essa ideia fica mais distante da minha realidade. Primeiro porque não sinto desejo (precisa de desejo?). Segundo: não consigo responder um porquê a isso, “quero ter filhos porque…”.
Por que o quê? Bom, adoraria ajudar as pessoas, então quem sabe um dia eu adote, mas até lá vou precisar estar bem de grana para dar conta das despesas e melhor ainda da minha cabeça, para assumir a responsabilidade integral de cuidar de alguém até os 18 anos e depois ainda me manter cuidando desse indivíduo sem ser superprotetora. Difícil demais, preciso superar uns traumas antes e quebrar crenças limitantes.
Mas tirando toda essa parte de pensamentos rápidos, sem muito sentido para terceiros e que podem mudar a qualquer momento e eu me contradizer daqui um tempo, vou falar de uma sensação boa que está me tomando: eu tenho 27 anos e me sinto mais jovem do que todos os meus anos anteriores.
É claro que isso não inclui a energia estabanada de quando eu era criança e nem os meus anos da adolescência que gastei mexendo no computador e desenvolvendo um emocional complexo.
Provavelmente os exercícios físicos me ajudaram muito nisso, na questão da disposição física e também por eu me sentir pertencente ao meu corpo pela primeira vez na vida.
Sim, eu me sinto ótima nesse corpo! Claro que tem outros corpos bonitos e blá blá blá, mas eu finalmente gosto do que eu vejo no espelho e reconheço que isso é fruto do meu esforço fazendo búlgaro.
Ainda tenho vontade de ir a festas (não sempre, mas tenho), de dar uns porres em bebida, dançar, ouvir música, conhecer pessoas, viajar o mundo, experimentar todas as gastronomias, xingar políticos e milionários.
E agora sinto que tenho um plus que é: estou me importando menos com tudo! Falei isso para minha psicóloga e ela pontuou algo como “bom, talvez você não esteja mais fazendo tanta questão de agradar”. Claro que não é sempre assim, mas no geral, eu estou meio nem aí para a maioria das coisas, especialmente aquelas que não me agregam.