Eu nunca fui a pessoa de ter desejos ou seguir crenças de Ano Novo. Porém, assim como a maior parte da população, eu sou abraçada por um sentimento de retrospectiva nas últimas semanas do ano.
Algumas vezes, abracei essa sensação de volta e fiz até listas de pontos positivos do meu ano, o que gerou orgulho para minha terapeuta. Mas mesmo reconhecendo os bons momentos dos últimos meses, é inevitável eu não me sentir um pouco deprê no dia 31 de dezembro.
A verdade é que, desde criança, sempre tive essa melancolia pré-virada. Depois que meu avô faleceu, quando eu tinha 15 anos, isso ficou mais forte. Todavia, só agora, em 2024, que eu entendi que não tem nenhum problema admitir que eu detesto Ano-Novo, Ano Novo, Réveillon, enfim, esses dias.
Algumas pessoas também se sentem assim, enquanto outras querem fazer nessas horas um grande mousse. Particularmente, tentei me forçar a entrar nessa onda durante toda minha juventude, seja com família, amigos, comida boa ou ficando chapada.
Mas agora, durante as últimas horas de 2024 e as primeiras de 2025, eu vou manter o foco em fazer o que eu, genuinamente, quero. Ainda não sei e não vem ao caso, mas o que quero dizer com tudo isso é que não gosto dessa fase do ano. Enfim, vamos ao que interessa!
Meu top 10 grandes coisas de 2024
1. Voltei a ler livros
Fazia anos que eu não lia um livro. Talvez eu tenha lido um ou outro, mas não tinha mais o hábito de começar a ler por livre espontânea vontade e curiosidade. A ideia é não parar e fazer desse hábito a substituição de outro ruim.
2. Comecei a ouvir podcasts
E tenho aprendido muito com eles, mesmo os Picolés de Limão. Escutar podcast faz eu ressignificar atividades da rotina, como por exemplo lavar louça, além de despertar o meu interesse por novas áreas de conhecimento (especialmente psicologia).

3. Vivi um ótimo relacionamento amoroso
Pela primeira vez, posso dizer que me entreguei ao amor. Senti paixão do começo ao fim e, vi na prática, que é impossível um relacionamento ser perfeito — mas que isso não invalida os bons momentos e sentimentos.
Infelizmente, não foi para frente como eu gostaria, por incompatibilidade de planos de vida. Meu final de ano está sendo acompanhado pelos altos e baixos emocionais de um término, mas tudo bem, esse não foi o único luto que passei esse ano. Aprendi que a gente consegue sobreviver aos lutos.
4. Adotei mais um gato
O Oli chegou, mais ou menos, seis meses após o Miau falecer. Apesar do meu outro gato, o Nico, ainda não estar 100% confortável com a presença de um felino criança, é impossível não admitir o quanto de alegria e gratidão esse pequenininho me trouxe.

5. Dei os primeiros passos na minha vida profissional autônoma
Talvez eu tenha só me levantado de onde estava jogada, mas já é um primeiro passo. Depois que fui demitida, consegui me realocar rapidamente no mercado de trabalho, com uma oportunidade que faz eu encerrar o ano me sentindo em paz profissionalmente.
Porém, tem uns meses que venho cultivando ideias individuais para a minha trajetória no mercado de trabalho. Percebi que tenho muito o que aprender ainda (falando de negócios), o que me motiva a correr atrás e me especializar.
6. Me empenhei em atividades físicas
Virei rata de academia, as mudanças físicas e a sensação de endorfina me ganharam. É a primeira vez que me sinto bem com meu próprio corpo. A dica que deixo é: antes de sair radicalmente do sedentarismo, comece com algo mais leve. Eu comecei com pilates uma vez na semana; agora, vou cinco dias na semana à academia.

7. Consequentemente, comecei a me alimentar melhor
Isso também é inédito: eu perdi o medo de comer. Com a rotina de treinos, engordei uns 10kg na balança, como um pratão de proteínas e continuo querendo me cuidar cada vez mais.
Para quem não sabe, desde a minha adolescência eu tenho problemas com dismorfia corporal. Até o começo de 2024, sentir fome era sinônimo de prazer e satisfação. Após me empenhar à musculação, isso mudou e, finalmente, me sinto bem comigo mesma.
8. Aprendi sobre a importância da rotina
Sou uma pessoa muito flexível, mas ter um script do meu dia ajudou muito quando comecei a trabalhar home office (fato que quero manter, por ora, para o resto da minha vida).
Acordar, preparar meu café e pão com ovos, tirar uma carta de tarô, começar a trabalhar, ir treinar, almoçar, trabalhar, dedicar-se para algo pessoal (terapia, estudos ou trabalho), fazer comida, assistir alguma série ou filme, ler e dormir. This is my real life!

9. Passei um mês sóbria
Provavelmente uma das minhas decisões mais sábias de 2024, porque sinto que amadureci depois de 31 dias sóbria. Tanto que, desde então, eu decidi parar de fumar.
Eu sei que os vícios não mudam de uma hora para outra. Mas, nesse caso, parece que girou uma chave na minha mente. A vontade inconsciente até dá as caras às vezes, mas conscientemente eu não quero.
Pessoas e situações, que antes eu admirava, perderam o interesse para mim, além de agora eu reconhecer com mais facilidade o quanto esses fatores eram prejudiciais para a minha saúde física e mental.
10. Consegui manter atividades semanais que me faziam bem
Pude pagar por minhas aulas de inglês e por minha terapia semanal o ano todo! Já é o segundo ano consecutivo que estudo inglês, porque enquanto eu dependia financeiramente dos meus pais, essa não era uma prioridade na minha criação.
Já a terapia, nem preciso falar sobre a importância. Às vezes diminui uma sessão, por questão de custos, principalmente se preciso visitar minha psiquiatra naquele mês. Mas, no geral, estou finalizando o ano com as contas no verde e a mente sã.

2024 deve ter sido o ano mais normal da minha vida
Diferente de 2023, em que eu viajei bastante, conheci muitas pessoas e fui a várias festas, 2024 foi o ano em que eu mais me senti reclusa do mundo. Passei por situações muito ruins, como a morte do meu gato nos primeiros dias de janeiro, mas também tive bons momentos, graças à minha rede de apoio e a mim mesma.
Como eu disse no início, eu não tenho planos, promessas e nem desejos para 2025. Vou tocar os compromissos que já estão na minha nova agenda diária, dar continuidade para o que eu comecei em 2024 e me manter aberta a aprender mais sobre os assuntos que chegarem até mim.
2 Responses
Seu texto é profundamente honesto e autêntico. A maneira como você compartilha sua relação com o Ano Novo, respeitando seus próprios sentimentos sem se forçar a seguir expectativas externas, é algo que ressoa de forma muito humana. Senti muita maturidade enquanto você falava sobre amor, perda e resiliência, sinto que tenho sempre muito a aprender com você. Além disso, suas conquistas pessoais — desde retomar a leitura, adotar hábitos mais saudáveis até a coragem de dar os primeiros passos na autonomia profissional — mostram um ano de crescimento significativo e como é importante essa visualização da nossa evolução. Nem sempre precisamos ter grandes planos, mas sim continuidade e abertura para o novo. Um relato inspirador! Parabéns como sempre.
Muita maturidade envolvida! Por mais que tenham sido poucas oportunidades de conversa, acompanho seus conteúdos e adoro sua escrita criativa e sincera. Poucos são os textos que leio e vejo uma pessoa. Fico triste pelo relacionamento e pela demissão. Espero que venham coisas grandiosamente boas neste ano.